Depois de um tombo histórico de 4,1% em 2020, com direito a capotamento na curva, o PIB brasileiro começa a animar quem vive de estatística e, sobretudo, quem aposta no crescimento do País. Ao que tudo indica, existe uma retomada em vários setores econômicos empurrando-nos ao otimismo. A Volvo, por exemplo, anunciou a retomada do 2º turno de trabalho, na unidade paranaense, para incrementar a sua linha mais vendida de caminhões. Em abril as montadoras produziram 13,1 mil caminhões, número 5% maior em relação ao mês anterior (março); já no acumulado do 1º quadrimestre do ano as unidades fabricadas passam de 46 mil, representando aumento de 83,9% nos pesados em relação a igual período de 2020. Na semana anterior a New Holland, tradicional fábrica de tratores, anunciou o lançamento de duas novas famílias de produtos e já avisou: o que produzir daqui até o final do ano está vendido. A Guerra, fabricante de implementos rodoviários (falida há quatro anos), agora reestruturada, vai dar a volta por cima e ainda neste ano estará de volta.    

As companhias aéreas estão se recuperando. De acordo com a Consultoria Economática, o maior valor de mercado pré-pandemia, consolidado de 21 empresas aéreas de LATAM USA e empresas com ADRs nos USA, foi no dia 20 de janeiro de 2020 com US$ 186,6 bilhões e dessa data para 15 de maio de 2020 as empresas perderam US$ 117,3 bilhões. Em 17 de março último, ocorreu o pico, com o mesmo grupo de empresas, quando atingiram US$ 190 bilhões; ou seja, ultrapassando o pico pré-pandemia. O crescimento do valor de mercado de 15 de maio de 2020 até 17 de março de 2021 é de US$ 120,6 bilhões. São companhias internacionais, mas produzem reflexos no Brasil.

Os portos gaúchos (Porto Alegre, Pelotas e Rio Grande) somam crescimento de 4,89% na movimentação de 11,8 milhões de toneladas em cargas nestes primeiros quatro meses do ano, contra igual período de 2020. No Paraná, só as importações têm de 12% a 13% mais volume. Em Santos, o maior complexo portuário do País, março de 2021 contra março de 2020 mostrou crescimento de 30% no volume de cargas em contêineres e no acumulado do primeiro trimestre há registro de movimento recorde, com total de 35,3 milhões de toneladas, representando 11,1% a mais que no 1ºTRIM do ano passado. Além do impulso da soja e do açúcar no comércio exterior, há um registro curioso: de janeiro a abril deste ano o Brasil exportou 700 toneladas de ovos.

Na B3, o Ibovespa, que bateu nos 73 mil pontos em março de 2020 (com queda de 30%, em números redondos, quando houve o anúncio oficial da pandemia), fechou em 120.065 pontos no mês de abril passado e no encerramento desta última semana (21 de maio) caminhava para os 123 mil pontos. O Índice de Confiança do Consumidor FGV-IBRE subiu 4,3 pontos em abril, para 72,5, denotando recuperação da queda de 44% no mês anterior.  As reservas internacionais que eram de US$ 339 BI, em maio de 2020, hoje totalizam US$ 350,9 BI (com tudo o que se gastou com a pandemia).

Somando toda a geração de riqueza, chegaremos ao PIB que, segundo o Banco Central, deverá crescer 3,6% neste ano. Já o Bradesco BBI, que estimava 3,3% positivos, revisou os números e aposta em 4,5%. O Itaú, por ora, está na casa dos +4% e os estrangeiros como UBS, Credit Suissse e Bank of America, entre outros, elevaram os prognósticos na economia brasileira para 3,8% de crescimento, na média. E, como sempre acontece, existe gente até mais animada que isto ao chutar 5% de crescimento do PIB neste ano.

Esta convergência de fatores, entretanto, não deve desprezar nem tampouco perder de vista as ações do Ministério da Saúde com o ritmo de vacinação, pois quanto antes a população estiver imunizada, quanto antes se verificará o crescimento. É um olho no peixe e outro no gato, como diz o velho adágio.

APETITE

Na esteira das projeções de números, o que cresceu também foi o apetite dos investidores em companhias de alimentos. No fechamento da semana, sexta-feira, a Marfrig publicou Fato Relevante revelando ao mercado a aquisição de quase 197 milhões de ações ordinárias da BRF (detentora das marcas Sadia e Perdigão).

A Marfrig Global Foods que iniciou a semana com 5% das ações da concorrente em mãos, agora tem 24,23% mas jura solenemente que “não pretende eleger nenhum membro ao Conselho ou exercer influência sobre as atividades da BRF”. Positivo e operante.

DIVERSIDADE  

Parafraseando os Titãs…

A gente não quer só comida
A gente quer comida
Diversão e arte
A gente não quer só comida
A gente quer saída
Para qualquer parte…

Na quinta, 20, o jornal Meio&Mensagem trouxe a notícia que o McDonald´s prometeu dobrar os investimentos feitos em empresa de mídia, produtoras e criadores de conteúdos diversos até 2024. A mesma matéria dá conta que a companhia vai focar em plataformas lideradas por negros, hispânicos e asiáticos, mulheres e pessoas LGBTQIA+. Tais investimentos, que correspondem hoje a 4% do total, deverão subir para 10%.

Para quem sempre acompanha tendências, fica a dica.

PD&I

A Ambipar, empresa novata na Bolsa e que tem Cristina Andriotti como CEO, mostra em seu Relatório de Sustentabilidade que não se preocupa apenas com diversidade de gênero. A companhia revela suas ações de redução e compensação das emissões de carbono.

Juntamente com os investimentos em Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação – com 14 patentes registradas e 25 prêmios de tecnologia, inovação e sustentabilidade conquistados – a Ambipar mostra o sistema de reuso de água de chuva, com capacidade de armazenamento de 60 mil litros de água para abastecer os caminhões-pipas usados em emergências, na limpeza predial e durante a irrigação de áreas verdes internas.

MELHORES

“Melhores do ESG: repensando o valor de tudo” foi o tema de painel que Marcela Porto participou, online, ao lado de outras feras da Ambev, Itaú e do Mercado Livre. Ela é a head de Comunicação e Marca da Suzano.

Evento foi promovido pela Revista Exame.

METAS

Anunciando como meta o aumento da representatividade de mulheres, negros, pessoas com deficiência e profissionais com mais de 50 anos em todas as suas operações (matriz, lojas e Centros de Distribuição), a RaiaDrogasil apresentou oito objetivos e 35 compromissos de sustentabilidade para 2030.

A empresa, que afirma ter colocado a sustentabilidade no centro dos negócios, fará neste ano um Censo interno para conhecer melhor seus colaboradores.   

SOLAR

A Drogaria Venancio intensifica sua política de preservação do meio ambiente, no Rio, investindo em geração de energia limpa e renovável. No início de 2021, a rede inaugurou sua primeira usina solar, em Barra do Piraí, com previsão de economia de 20% de energia.

A unidade irá gerar energia para suprir inicialmente cerca de 50 lojas físicas. De acordo com a ONG ambiental SOS Mata Atlântica, a quantidade de CO2 que deixará de ser emitida será equivalente ao plantio de 22 mil árvores após um ano de operação. O projeto contou com a instalação de 11.040 módulos de 335 W, distribuídos em quatro plantas. Uma segunda usina solar, também no estado fluminense, está prevista.

VENDA

A Ultrapar vai sair do negócio farmácias. A venda da rede Extrafarma para a PagueMenos vai lhe render R$ 700 MM. Com esta operação, a PagueMenos (PGMN3) deverá ser a vice-líder no ramo, só perdendo para a Drogasil (RADL3) / Droga Raia, que operam sob a holding RD.

CONCLUINDO

A G2D Investments captou quase R$ 300 milhões em seu IPO, concluído na semana última. Recursos serão destinados a aquisições (43,6%), investimentos contratados, amortização de dívidas e capital de giro. Foram emitidos 41,7 milhões de BDR´s.

Outra empresa que também concluiu sua oferta pública inicial foi a GetNinjas, captando R$ 321 MM para campanhas de marketing, contratação de pessoal e reforço de caixa, informou a companhia.

GNV

A Comgás, maior distribuidora de Gás Natural do país, e a Scania, referência internacional em soluções de Transporte e Logística, anunciam ações conjuntas para acelerar o desenvolvimento do mercado de Gás Natural Veicular (GNV) e do Biometano para veículos comerciais pesados.

“Esta iniciativa é fundamental para impulsionar o desenvolvimento da infraestrutura de distribuição e ampliar as opções de abastecimento”, disse Christopher Podgorski, CEO da Scania Latin America, acrescentando que este processo é parte da “transformação sustentável do setor de transportes, a fim de tornar os combustíveis alternativos ao diesel como o novo normal, considerando os benefícios sociais, ambientais, econômicos e financeiros que este caminho pode gerar”.

ONGS

A CPFL Energia informa que destinará, ainda neste mês de maio, mais de R$ 842 mil para 13 Organizações Não-Governamentais (ONGs) dos estados de São Paulo e do Rio Grande do Sul, como parte da ação designada “Desconto Eficiente”. Os recursos vieram da doação de R$ 50 de cada cliente que comprou uma das 17 mil geladeiras vendidas com até 50% de desconto – em parceria com o Magalu – no projeto de eficiência energética, visando promover a transformação deste mercado, por estímulo às novas tecnologias. 

ARTIGO

Gestão ESG ganha força em um momento de maior consciência global

(*) Beatriz Giacomini

A sigla ESG (Environmental, Social and Governance), termo cunhado em 2004 em uma publicação da iniciativa Who Cares Wins, ganhou projeção global no Fórum Econômico Mundial de 2020 após a BlackRock anunciar a sustentabilidade como o “novo padrão de investimento”. A disseminação dessa terminologia, usada no âmbito do mercado investidor, para um público amplo, tem ajudado na criação de uma nova consciência sobre a importância da adoção de princípios de sustentabilidade nos negócios e, consequentemente, na rápida valorização de negócios que levam em conta esses princípios. No entanto, a popularidade que o termo ESG ganhou no ano de 2020 é intrigante porque dá ares de novidade a um tema discutido há muitos anos. Então, o que mudou de lá para cá?

Vinte e seis anos separam a popularização do termo ESG de outra definição semelhante, porém menos articulada, conhecida como o tripé da sustentabilidade – Triple Botton Line (John Elkington, 1994) – e 28 anos de um dos marcos mais importantes da história: a Conferência de Meio Ambiente e Desenvolvimento da ONU – Rio 92 (CNUMAD).  Essa questão é importante porque a história é feita de ciclos e algumas terminologias, como “sustentabilidade”, podem ser mais ou menos relevantes em diferentes cenários de transformação do mundo, demonstrando, em momentos cruciais, seu valor. “Só conhecemos o valor de uma coisa quando a perdemos”, diz o jargão popular. E, neste caso, diante do contexto e salvaguardados os dilemas locais, o engajamento pela sustentabilidade pode ocorrer com motivações e propósitos totalmente diferentes.

É importante fazermos uma breve retrospectiva. Os anos 1990 representaram uma nova fase na história dos mercados globais com a expansão territorial das multinacionais e o reconhecimento de que suas atividades industriais estavam impactando o meio ambiente e os direitos humanos. Assim, motivadas num primeiro momento pela necessidade de mitigação de impactos, as empresas foram aos poucos amadurecendo a compreensão sobre o papel estratégico da sustentabilidade nos negócios.

A sustentabilidade passou a figurar como eixo central das políticas públicas globais especialmente após a Rio 92, quando importantes documentos foram negociados e pactuados. Entre eles, a Agenda 21, que representou o referencial mais importante sobre como alcançar o desenvolvimento sustentável no século XXI, equilibrando as dimensões econômica, social e ambiental; os Princípios do Rio de Janeiro; a Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) – que é um instrumento legal da ONU e um dos mais importantes relacionados à proteção da natureza; a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), que estabeleceu o objetivo principal de estabilizar as concentrações de gases de efeito estufa (GEE) na atmosfera em um nível que impedisse uma interferência antrópica perigosa no sistema climático; a negociação sobre a Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos das Secas (UNCCD) ea Carta da Terra, que havia sido idealizada pela ONU em 1987.

Os referenciais daquela época, válidos até hoje, coincidiam com um momento em que o Brasil também se projetava internacionalmente como modelo de gestão de seus recursos ambientais, tendo já, em 1981, consolidado sua Política Nacional de Meio Ambiente e criado, em 1989, o IBAMA – Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis. 

O surgimento do Índice Dow Jones de sustentabilidade, em 1999, integra o ciclo de evolução do pensamento e ações em prol do desenvolvimento sustentável, tornando-se o primeiro indicador de performance das empresas focado em sustentabilidade.

Se 2020 entrar para história como um novo marco na difusão dos princípios de sustentabilidade, alguns aspectos podem ser considerados. O primeiro é que estamos atravessando um dos momentos mais difíceis da história com a pandemia da Covid-19, que ao que indica a comunidade científica, tem origem no modo como nos relacionamos com o meio ambiente. De acordo com o PNUD (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) o surto da Covid-19 é mais uma das consequências das constantes transformações humanas no meio ambiente, como alterações no uso da terra, desmatamento, emissões de gases de efeito estufa e interação de animais selvagens com rebanhos.

Outro ponto é que estamos mais conectados do que nunca, num processo de interação social totalmente mediado pelas telas do celular, do computador e da TV. Assim, um evento como o Fórum Econômico Mundial ganha um alcance muito maior que antes, impactando pessoas que até o momento não estavam prestando atenção ao tema.

Como reflexos, vemos empresas de setores intensivos, como o de óleo e gás, assumindo metas de descarbonizar suas atividades até 2050, e as maiores economias globais aumentando seus compromissos de descarbonização, com ambições anunciadas na Cúpula de Líderes sobre o Clima desse ano.

Essa dolorosa experiência global despertou uma nova consciência sobre a nossa interdependência com o meio ambiente e o mercado está percebendo como entregar retorno financeiro aliado ao propósito da sociedade.

Não há mais como desprezar essa realidade: os estudos têm demonstrado que empresas com boas práticas ESG tendem a gerar maior retorno aos investidores, apresentam modelos de negócios mais resilientes e perenes, lidam melhor com adversidades e se adaptam a mudanças em seus mercados consumidores e às alterações regulatórias.

De acordo com levantamento feito pela consultoria de políticas públicas PATRI, um relatório elaborado no ano passado pela Itaú Asset, com base em estudos de consultorias como a McKinsey, concluiu que um portfólio que adota estratégias ESG entrega resultados melhores que outro que não segue essa estratégia. A Morningstar, empresa americana de análise de dados sobre investimentos, calcula que existam, atualmente, 3.774 fundos que só investem em empresas ESG e 648 fundos tradicionais que estavam ativos e foram reformulados para abrigar apenas empresas detentoras do selo sustentável. E, para concluir, segundo relatório da PwC, 77% dos investidores institucionais disseram que planejam parar de comprar produtos não ESG nos próximos dois anos. Até 2025, 57% dos ativos de fundos mútuos na Europa estarão em fundos que consideram os critérios ESG, o que representa US$ 8,9 trilhões, um aumento significativo em relação aos 15,1% do fim de 2020.

A projeção do termo ESG pelo mercado investidor ganha força em um momento de maior consciência global, podendo alavancar ações coletivas de grande escala com impacto positivo significativo para a sustentabilidade, beneficiando a sociedade e o planeta.

(*) Beatriz Giacomini é publicitária com especializações em Cultura e Sustentabilidade. Atualmente é gerente de Comunicação e Relações Externas da Repsol Sinopec Brasil, onde atua desde 2011.

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