Vacina é ciência. Smartphone é tecnologia. Pix é inovação. Por estes prosaicos exemplos é que não se pode menosprezar Ciência, Tecnologia&Inovação nos dias de hoje. Aliás, já não se podia em tempos passados, quanto mais nos futuros. Se hoje temos vacinas contra sarampo, tuberculose, tétano, hepatite (etc), GPS e telemedicina é porque alguém pesquisou e um outro alguém investiu no desenvolvimento da pesquisa. A “varinha mágica de Pirlimpimpim” deve se circunscrever às historinhas infantis, portanto. E assim mesmo às historinhas impressas, antigas, amareladas, porque criança que mexe em celular hoje raramente vai acreditar em “mágica”. E se não existe mágica, na criação e transformação do mundo, é preciso pesquisar, desenvolver, inovar.

Ainda no passado mês de abril, o ministro-astronauta chamou de “estrago” o corte que sofreu a sua Pasta, de Ciência e Tecnologia. Foram vetados R$ 371 milhões e bloqueados outros R$ 272 milhões, restando no orçamento anual R$ 8,3 bi (algo como 2% do total do orçamento da União). Disse Marcos Pontes que “não é possível ligar e desligar pesquisas”, ao argumentar que um trabalho sério precisa de tempo para amadurecimento e experimentação.

Só para ficarmos em único país, a China, que há 60 anos tinha um nível de escolaridade abaixo do nosso, hoje é uma das campeãs no quesito vacinas e está de malas prontas para desembarcar a tecnologia 5G no Brasil, que vai possibilitar – entre tantas outras coisas – aumentarmos a velocidade da internet em “pelo menos” 20 vezes. Cabe lembrar que o Brasil tem “espasmos tecnológicos”, na área do agronegócio, aviação e algum outro cantinho mas, no geral, quando se calculam todas as inserções, o país está em 4º lugar no ranking latinoamericano e na 62ª colocação internacional, de acordo com o relatório 2020 da Global Innovation Index que uns dias atrás o professor Paulo Feldmann, titular de Economia da USP, citou em artigo publicado.

Ou o país passa a valorizar C,T&I dando-lhe o devido tratamento e atenção, porque só assim conseguiremos salvar vidas, melhorar a própria qualidade de vida e obter a necessária competitividade para o desenvolvimento econômico, e com ele o social e o ambiental, ou vamos amargar mais pobreza e subdesenvolvimento, pois não existe mágica.   

E não estranhem se alguém, de boa memória, resolver “atualizar” a piadinha que se contava à época da ditadura (então, com o ministro da Justiça), envolvendo Brasil e Bolívia. Dizia-se – em tom de pilhéria – que certa vez o presidente brasileiro foi visitar o colega boliviano e a ele foi apresentado o ministro da Marinha daquele país. O general de plantão, então, caiu na risada e arguiu: “Mas, presidente, se vocês não têm mar por que um ministro da Marinha?” Ao que o colega boliviano respondeu: “Oras, se vocês têm ministro da Justiça, por que não podemos ter um da Marinha?”.

A Bolívia de 2021 continua com a sua Marinha e o Brasil com o Ministério da Ciência & Tecnologia.

TCU

Aprovado pela Anatel, o Leilão do 5G só aguarda parecer do Tribunal de Contas da União. Estimativa era que “no meio do ano” a coisa estaria azeitada para se colocar esta tecnologia em marcha.

Expectativa é que com a saída de Trump do cenário, seu homólogo brasileiro não crie teretetê com a participação chinesa, até porque a base tecnológica do 3G, 4G etc é concebida do outro lado do mundo e para as empresas interessadas não seria conveniente trocar tudo agora. Isso sem contar as (volta e meia delicadas) relações diplomáticas e comerciais.   

AGRITECH

Brasil e África do Sul mantém um “Programa de Incubação Cruzada Virtual de Startups”. De iniciativa do Sebrae, a parceria com a Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec) e outras entidades sulafricanas, abre a adesão para a primeira fase.

Produzir alimentos de forma sustentável é o desafio e o programa vai concentrar experiências e trabalhar por inovação nessa área, chamada de agritech. Inscrições, informa a Agência 61, poderão ser efetuadas até 2 de julho, junto ao próprio Sebrae.

IPO

Em fevereiro, a Dotz estava apta a entrar com tudo no mercado de capitais mas enxergou alguma volatilidade e suspendeu o IPO. Agora a companhia voltou a se animar e acertou com a B3 sua chegada, nesta segunda, dia 31.

Com o toque da campainha, a Dotz será a 192ª companhia listada no Novo Mercado.

NO AR

Desde o dia 27 último os céus da América do Norte ganharam novos elementos. São 13 jatos Embraer (10 aeronaves E190 e três E195) que estão riscando as nuvens, com a marca Breeze Airways.  

Do mesmo criador da Azul e da JetBlue, David Neeleman, a Breeze frequentará, inicialmente, quatro aeroportos: Tampa, na Flórida; Charleston, Carolina do Sul; Nova Orleans, Louisiana; Norfolk, Virgínia.

MUSCULATURA

E por falar em Azul… a companhia que vinha compartilhando voos (codeshare) com a Latam (ora em recuperação), desfez o acordo. Com isto, o mercado ficou “de orelha em pé” aguardando os próximos lances.

A sensação é que a Azul parta para a aquisição da Latam, criando musculatura para brigar com a Gol. Se confirmado este palpite de analistas do setor, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica-CADE será acionado. A conferir.

(Rolling) STONE

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica-CADE prorrogou a análise de concentração de mercado, pelo período de mais 90 dias, da aquisição da Linx pela StoneCo.

FERROGRÃO

A VLI (controladora da Ferrovia Centro-Atlântica e do ramo Norte da Norte-Sul) anunciou parceria com a Hidrovias (operadora de logística integrada, com foco em hidrovias) para avaliação conjunta do Projeto Ferrogrão.

Fundamental no escoamento de grãos pelo Arco Norte, a ferrovia tem 993 Km entre Sinop (MT) e Miritituba (PA). Ambas estudam solução multimodal para o Ferrogrão, que contempla a chegada de um parceiro investidor.

FUNDOS

De acordo com o presidente da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp), Luís Ricardo Marcondes Martins, os Fundos de Pensão ultrapassaram a barreira de R$ 1 trilhão, registrando crescimento de 6,17% sobre o ano de 2019.

Em matéria publicada no site-parceiro de Plurale, os fundos registraram rentabilidade de 11,13% e superávit líquido acumulado de R$ 7,6 BI, no fechamento de 2020. Atualmente o sistema tem 2,7 milhões de participantes ativos, 3,9 milhões de dependentes e 837 mil assistidos.

ALERTA

O Comitê de Monitoramento do Sistema Elétrico, instância do governo federal, esteve reunido nesta semana que passou para avaliar o cenário atual. Conclusão: a falta de chuvas, somada à escassez de investimentos, resulta em um quadro preocupante.   

Segundo o CMSE, estados ligados à Bacia do Paraná correm risco de apagão: Goiás, Minas, Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo. Assim, deverão entrar em operação usinas termoelétricas, movidas a combustível fóssil, elevando os níveis de poluição do ar e das contas de energia. A se confirmar o risco de apagão, isto pode atrapalhar – e muito! – a retomada da economia.

Artigo

Por que não trocar o ESG pelo ET ?
(*) Luiz Fernando de Araújo Bueno

Envolver e engajar nossas 453 empresas associadas no tema Sustentabilidade tem sido a nossa missão nos últimos 13 anos. Incansável, o Departamento de Sustentabilidade do CIESP-Campinas tem sido exemplar no esforço, mas na mesma medida em que observamos o avanço neste terreno também temos consciência que é preciso avançar mais e, agora, mais rápido.
Sustentabilidade na estratégia das empresas é fundamental e tem sido esse o nosso mote, para que não tenhamos apenas pautas de projetos que não gerem quaisquer valores para todos os atores com os quais essas empresas se relacionam, os Stakeholders.

No primeiro semestre de 2020, em meio à pandemia do Coronavírus, recebemos em nossa sede, de forma virtual, profissionais especializadíssimos no tema como Sônia Favaretto e Ricardo Voltolini que nos brindaram com suas posições. Trataram das abordagens “Sustentabilidade uma agenda estratégica e inadiável” e “Tendências em Sustentabilidade pós-Covid 19”, respectivamente.

No segundo semestre entrou em cena, com força, na mídia, o conceito ESG. Largamente utilizado no mercado financeiro, significa, “ambiental, social e governança”.
Ora, ora, até então no mercado corporativo o tema Sustentabilidade era vinculado ao triple botton line consubstanciado em econômico, ambiental e social, enquanto no setor bancário a terminologia se restringia a risco socioambiental.

Observando a linha do tempo da Gestão Socialmente Responsável, que data de 1920 com a criação da Liga das Nações para promover a paz e a segurança no pós-guerra, é preciso nos conscientizarmos que não podemos mais produzir e consumir da forma desenfreada como ocorre hoje, pois nossa pegada de carbono está muito alta.

Seremos a sexta geração a sumir da face da terra se não mudarmos nossa atitude (revista Veja – 30/09/2015 – Rumo ao Hexa). E para proceder a esta mudança, de forma não pelo amor e sim pela dor, ou seja não pelo engajamento e convencimento e sim pela força que, teoricamente, nada legitima, veio o mercado financeiro nos ajudar nessa missão urgente!

A saída da crise do novo Coronavírus e a retomada da economia não serão tarefas simples, na visão de Larry Fink, presidente da maior gestora de fundos de investimentos do mundo, a norte-americana BlackRock. Em uma live realizada com Sergio Rial, presidente do Santander Brasil, na tarde do dia 14/05/2020, Fink afirmou que a Sustentabilidade deverá estar na estratégia das empresas e que ESG seria o balizador para investimentos da sua gestora de fundos.

Começamos a observar como consultores que somos, que muitas empresas começaram a providenciar seus Relatos Integrados como forma de captação de recursos/IPO. Em linguagem popular, uma vez mais verificamos que “o órgão mais sensível do ser humano, o bolso”, começou a se manifestar sem perda de tempo. Curioso, não?

Como vimos acima, a linha do tempo data de 1920 (um século, portanto!), e nesse ínterim já tivemos a Eco 92, depois a RIO+20, Rio+20+1 e só agora parece que a ficha caiu para o mundo corporativo/empresarial.

O que mudou, afinal? Pela minha leitura, absolutamente nada. Temos na sustentabilidade a ideia do equilíbrio entre o econômico, o  social e o ambiental e, na sua base, ética, transparência, respeito a diversidade e boa governança corporativa.

O que difere de ESG, não está tudo ai? Por que só agora a ficha caiu?  Foi o bolso mesmo?

Na live Cidadão Global (promovida pelo jornal Valor e banco Santander, dia 25 último) foi mencionado que Al Gore utiliza os parâmetros ESG para os seus investimentos há muito tempo e não “somente agora que virou moda”. A propósito dessas questões, o ex-VP dos Estados Unidos pregou uma “necessária mudança” de pensamento sobre a relação (dos stakeholders) entre empresas, investidores, mercados, governos e sociedade.

Mas, voltando à nossa “sopa de letrinhas”. Quando se coloca o “E” de econômico EESG, este já não estava no tripé? E o “G” de governança na frente? O GES não estava na base da sustentabilidade? Ora, ora… Por isso fico com a sensação de que nem ESG, nem EESG, nem GES, nem tripé da sustentabilidade com outros pilares como Educação, Cultura, Generosidade.

Defendo o “ET”, que não tem a ver com extra terrestre!. Refiro-me a Ética e Transparência na sua plenitude. Com este binômio tudo se resolveria, de forma simples e sem escaramuças.
Colocada a questão, agora é com vocês senhores e senhoras especialistas.

(*) Luiz Fernando de Araújo Bueno, Administrador de Empresas, Professor da FGV, Diretor Titular do Departamento de Sustentabilidade do CIESP – Diretoria Regional de Campinas, Diretor Adjunto do Núcleo de Responsabilidade Social do CIESP Estadual – NRS, membro do Comitê de Responsabilidade Social da Federação das Indústrias do Estado de SP – CORES, articulista, consultor e palestrante.

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