Em meio a tanta volatilidade, incertezas e predomínio da dispersão de ideias, devemos ser capazes de nos adaptar e adequar o portfolio conforme surgem os desafios desta trilha.

“Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças” por Leon C. Megginson, a frase proferida pelo professor da Louisiana State University, ocorreu em um discurso em 1963, onde apresenta a sua interpretação da ideia central de “A Origem das Espécies” de Charles Darwin.

Com este foco, trataremos a pauta de hoje olhando para um futuro mais distante, algo que se planeja após superar as primeiras etapas da trilha, como:

Planejando um futuro mais distante e adequar o portfolio: a Previdência

Enquanto brigamos dia a dia, mês a mês, por uma rentabilidade melhor no final do ano, a Receita Federal oferece vantagens tributárias para a previdência privada bem maiores do que essa diferença.

Quando se decide por um Plano de Previdência, você instantaneamente estará mirando o resgate só depois de dez anos ou mais. As próprias vantagens tributárias, para que realmente sejam vantagens, precisam ser levadas para o horizonte de longo prazo.

A modalidade, não obriga que seja feito todo o investimento de uma só vez, mas sim via aportes pequenos e mensais – por isso, a necessidade de uma organização financeira.

Segundo diversos analistas, caso você já esteja pensando na ideia, faz todo sentido ter ao redor de 10% do total do portfolio aplicado nesta modalidade.

Mas fique atento! Quando falamos de Previdência, não estamos falando de INSS, mas da previdência privada. Portanto, entre estas opções há diversas alternativas entre PGBL e VGBL.

As verdades sobre o PGBL ou VGBL

Mas antes, pense o seguinte: o que você acha melhor? 

Viajar com um guia turístico ou conhecer a cidade nova sozinho? 

Consertar você mesmo o seu carro quebrado ou pagar para alguém?

Estudar sozinho para um teste ou pagar por um cursinho?

Seria muito incoerente induzi-lo ao que é ideal sem conhecer você o suficiente, pois não há uma resposta certa para todos, mas a resposta certa para a sua prioridade.

Isso depende muito do perfil de cada pessoa. E este conceito vale para a previdência, podendo ser aplicado em qualquer outro investimento que estamos abordando aqui na trilha. 

Portanto terceirizar pode fazer sentido para o seu patrimônio, planejamento e perfil de investimento. Ou não. Seguindo na mesma linha abordada na etapa 18# – Os três princípios de quem aplica em Fundos de Investimentos

Para tentar deixar o mais claro e facilitar em alguma provável dúvida. Aquele famoso, e se? Ou, será que devo? Vamos mostrar algumas características da modalidade.

Com a previdência, você não paga come-cotas, aquela antecipação semestral do IR no fim dos meses de maio e de novembro, que o governo recolhe automaticamente dos seus rendimentos em fundos de renda fixa, multimercados e etc.

Além disso, você tem a possibilidade de adiar o imposto, que chega a 10%, a menor do mercado, se optar pelo regime de tributação regressivo.

No caso do PGBL, você pode ter uma grande vantagem ao investir em previdência. Pois é possível deduzir do Imposto de Renda com contribuições a um PGBL de até 12% da renda e aproveitar o menor imposto do mundo dos investimentos tributáveis.

É como se você tivesse trocando uma alíquota que tem o limite de 27,5% por uma de 10% e que só pagará lá na frente, no saque, se tiver optado pela tabela regressiva. Ou seja, se você ganha 100 mil em um ano, pode adiar 12 mil do IR se colocar todo esse dinheiro em um PGBL. Para isso você precisa fazer a declaração completa do IR.

Outro ponto positivo é que o fundo de previdência VGBL ou PGBL não passa pela burocracia do inventario (que costuma demorar). Ou seja, facilita nas questões de herança, transferência de renda e estruturação de projetos de sucessão. Portanto, a ferramenta de planejamento sucessório, com a livre escolha do beneficiário e liquidez em poucos dias após o falecimento do titular do plano é um benefício.

Fique atento:

De nada adiante ter todas essas vantagens se o fundo de previdência que brilha seu plano de PGBL ou VGBL for ruim. E pode confiar, tem muitos por aí. 

Como você já sabe como funciona um fundo, no qual você deixa seu dinheiro para um profissional gerir, alguns contras podem surgir. 

Nossa melhor dica pra você é: pesquise e pergunte bastante sobre o seu fundo. 

Quais as taxas? Qual a composição? Quais as estimativas de retorno? Onde está o histórico de rentabilidade? Qual o tamanho em reais tem o fundo? Quem é o gestor? Se você quiser sacar o dinheiro antes do momento, qual a taxa punitiva? Em que produtos investe? Será em tabela progressiva ou regressiva?

Tipos de planos de previdência

Em resumo, você tem quatro opções para contratar uma previdência privada: PGBL com regime regressivo ou progressivo; VGBL com regime regressivo ou progressivo.

PGBL

O PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) é o plano mais indicado para aqueles que declaram o imposto de renda pela forma completa. Como comentamos acima, ao aportar no produto você pode abater até 12% da sua renda tributável anual através dos aportes no plano, desde que você também contribua para o INSS ou para outro regime específico de previdência social.

Contudo a alíquota de IR será cobrado no resgate total ou parcial do plano sobre todo o saldo resgatado.

VGBL

O VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre) é o plano mais indicado para aqueles isentos ou que fazem a declaração simples de IR. E a alíquota de IR no resgate incidirá apenas sobre os rendimentos acumulados do investimento, da mesma forma que ocorre nos fundos de investimento fora da previdência.

Regime Regressivo

PRAZOALÍQUOTA
Até 2 anos35%
De 2 a 4 anos30%
De 4 a 6 anos25%
De 6 a 8 anos20%
De 8 a 10 anos15%
Acima de 10 anos10%

Pela tabela regressiva, o benefício está no longo prazo com a menor alíquota de 10%. Na hora dos resgates, a regra que vale é a do “PEPS”, ou seja, primeiro que entra, primeiro que sai; portanto seu primeiro resgate terá a incidência em relação ao primeiro aporte – no início da aplicação.

Regime Progressivo

Base de Cálculo AnualBase de Cálculo MensalAlíquota
Até R$ 22.847,76Até R$1.903,280%
De R$ 22.847,88 até 33.919,80De R$1.903,99 até 2.826,657,5%
De R$ 33.919,92 até 45.012,60De R$2.826,66 até 3.751,0515%
De R$ 45.012,72 até 55.976,16De R$3.751,06 até 4.664,6822,5%
Acima de R$ 55.976,16Acima de R$4.664,6827,5%

No regime progressivo, a decisão não está em função do tempo, mas do valor do recebimento.

Resumo dos planos

O PGBL com regime regressivo é o mais indicado entre as opções para quem declara o IR de forma completa e é contribuinte do INSS. No entanto o VGBL é indicado para aqueles isentos ou que fazem a declaração simples, pois através dela, é possível obter uma redução na base de cálculo de 20% da renda tributável, até o limite de R$16.754,34.

Em outras ocasiões, diversos analistas, ainda sugerem a aplicação em ambas modalidades, aproveitando os 12% da sua renda tributável via aplicação no PGBL e o excedente no VGBL, em caso do desejo de contribuir um percentual maior para a sua previdência.

Até a próxima!

Equipe Acionista.

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